O ano começa depois do Carnaval? Para os negócios, ele nunca parou
No imaginário popular, o Brasil só engrena depois do Carnaval. Mas para quem empreende e lidera negócios, essa máxima não se sustenta. O Carnaval é muito mais do que um feriado prolongado – é um termômetro econômico, um catalisador de tendências e um palco para estratégias de engajamento e monetização.
Em 2025, a previsão é que o Carnaval movimente cerca de R$ 12 bilhões em turismo, comércio e serviços, um crescimento estimado de 2,1% em relação a 2024. Só São Paulo e Rio de Janeiro podem responder por mais de R$ 11 bilhões desse montante. Mas o impacto não se restringe às grandes capitais: estados como Minas Gerais, Bahia e Pernambuco também projetam números expressivos, impulsionando setores que vão desde o turismo, gastronomia até a produção de fantasias e adereços.
Além disso, a expectativa é que o período carnavalesco gere mais de 32 mil empregos temporários, evidenciando seu papel como motor econômico. No varejo, marcas apostaram em coleções cápsula, colaborações estratégicas e ativações digitais. No setor financeiro, o uso de carteiras digitais e pagamentos instantâneos se consolida, impulsionado pela demanda massiva de consumo e pela praticidade das transações sem contato.
Mais do que movimentar cifras, o Carnaval revela tendências. O comportamento do consumidor durante a festa antecipa padrões que podem guiar estratégias de mercado ao longo do ano. O boom da personalização, visto na demanda por fantasias sob medida e maquiagem artística, reflete o desejo por experiências exclusivas – um insight valioso para marcas de luxo, moda e entretenimento. A busca por opções sustentáveis, como glitter biodegradável e abadás recicláveis, reforça a ascensão da agenda ESG no consumo de massa. E a viralização de hits nas redes sociais reafirma o poder da creator economy como ferramenta de engajamento e monetização.
O Carnaval não é apenas uma celebração, mas um reflexo dinâmico do mercado. Ele desafia empresas a testarem novas estratégias de engajamento, observarem mudanças no comportamento do consumidor e validarem tendências que se consolidam ao longo do ano. As marcas que usarem os aprendizados desse período – da força da experiência ao impacto da creator economy – sairão na frente. A festa termina, mas os dados, insights e oportunidades que ela gera continuam moldando o mercado.
Originalmente publicado no Estadão por Amanda Graciano